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terça-feira, 24 de setembro de 2019

O Que Sobrou do Céu - O Rappa





O Que Sobrou do Céu - O Rappa

O, la lá, o la lá, ê ah
O, la lá, o la lá, ê ê
O, la lá, o la lá, ê ê ah
O, la lá, o la lá, ê ê
Faltou luz mas era dia, o sol invadiu a sala
Fez da TV um espelho refletindo o que a gente esquecia
Faltou luz mas era dia... di-ia
Faltou luz mas era dia, dia, dia
O som das crianças brincando nas ruas
Como se fosse um quintal
A cerveja gelada na esquina
Como se espantasse o mal
O chá pra curar esta azia
Um bom chá pra curar esta azia
Todas as ciências de baixa tecnologia
Todas as cores escondidas nas nuvens da rotina
Pra gente ver... por entre prédios e nós...
Pra gente ver... o que sobrou do céu... o la lá

Vapor Barato - O Rappa



Vapor Barato - O Rappa

Uauau! Uauauauau!
Uauau! Uauauauau!

Sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu não acredito mais em você
Com minhas calças vermelhas
Meu casaco de general
Cheio de anéis
Eu vou descendo por todas as ruas

E vou tomar aquele velho navio
E vou tomar aquele velho navio
Aquele velho navio

Eu não preciso de muito dinheiro
Graças a Deus!
E não me importa
E não me importa não

A minha Honey Baby!
Baby! Baby!
Honey Baby
Oh! Minha Honey Baby!
Baby! Baby!
Honey Baby

Sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu estou indo embora
Talvez eu volte
Um dia eu volto, quem sabe
Mas eu preciso, eu preciso esquecê-la

A minha grande
A minha pequena
A minha imensa obsessão
A minha grande obsessão

A minha Honey Baby!
Baby! Baby!
Honey Baby
Oh! Minha Honey Baby!
Baby! Baby!
Honey Baby

Uauau! Uauauauau!
Uauau! Uauauauau!
Uauau! Uauauauau!
Uauau! Uauauauau!

Sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu não acredito mais em você
Com minhas calças vermelhas
Meu casaco de general
Cheio de anéis
Eu vou descendo por todas as ruas

E vou tomar aquele velho navio
E vou tomar aquele velho navio
Aquele velho navio

Eu não preciso de muito dinheiro
Graças a Deus!
E não me importa
E não me importa, não

A minha Honey Baby!
Baby! Baby!
Honey Baby
Oh! Minha Honey Baby!
Baby! Baby!
Honey Baby

Uauau! Uauauauau!
Uauau! Uauauauau!
Uauau! Uauauauau!
Uauau! Uauauauau!

Mar de Gente - O Rappa



Mar de Gente - O Rappa

Aiôa ê ê, Aiôa é! Aiôa ê ê, Aiôa é! Aiôa ê ê, Aiôa ôa! Aiôa ê ê, Aiôa é! Brindo à casa Brindo à vida Meus amores Minha família Brindo à casa Brindo à vida Meus amores Minha família Atirei-me ao mar Mar de gente onde Eu mergulho sem receio Mar de gente onde Eu me sinto por inteiro Eu acordo com uma Ressaca guerra Explode na cabeça E eu me rendo A um milagroso dia Essa é a luz Que eu preciso Luz que ilumina Cria e nos dá juízo Êh! Êh! Êh! Êh! Essa é a luz Que eu preciso Luz que ilumina Cria e nos dá juízo Luz que ilumina Cria e nos dá juízo Voltar com a maré Sem se distrair Tristeza e pesar Sem se entregar Mal, mal vai passar Mal vou me abalar Mal, mal vai passar Mal vou me abalar Esperando verdades De criança Um momento bom como Voltar com a maré Sem se distrair Navegar é preciso senão A rotina te cansa Tristeza e pesar Sem se entregar Aiôa ê ê, Aiôa é! Aiôa ê ê, Aiôa é! Aiôa ê ê, Aiôa é! Aiôa ê ê, Aiôa é! Interesses na Babilônia Viram nevoeiro Poços em chamas Tiram proveito Passa, passa, passa Passa, passa Passageiro A arte ainda Se mostra primeiro Uma onda segue a outra Assim o mar olha pro mundo Assim o mar olha pro mundo Eh! Brindo à casa Brindo à vida Meus amores Minha família Brindo à casa Brindo à vida Meus amores Minha família Eh! Atirei-me ao mar Mar de gente onde Eu mergulho sem receio Mar de gente onde Eu me sinto por inteiro Eu acordo com uma Ressaca guerra Explode na cabeça Eu me rendo Mais um milagroso dia Essa é a luz Que eu preciso Luz que ilumina Cria e nos dá juízo Essa é a luz Que eu preciso Luz que ilumina Cria e nos dá juízo Luz que ilumina Cria e nos dá juízo Voltar com a maré Sem se distrair Tristeza e pesar Sem se entregar Mal, mal vai passar Mal vou me abalar Mal, mal vai passar Mal vou me abalar Esperando verdades De criança Um momento bom como Voltar com a maré Sem se distrair Navegar é preciso se não A rotina te cansa Tristeza e pesar Sem se entregar

Céu Azul - Jaloo e Mc Tha




Céu Azul - Jaloo e Mc Tha


Hoje eu que finjo que você não existe
Se soubesse de onde eu vim, não me sorria
No oposto do sol encontrei o meu posto 
E te queimei com meus raios em grande quantia
Que engraçado que me olha assim

Com cara enjoada de fotografia
Agora que sabe, tem medo de mim
Mas no seu lugar eu também teria
Queria escrever uma bela canção

Mas faltou caneta, faltou papel
Tudo que eu tinha era papel de pão
E um único blues, o pedaço de céu
Adeus, céu azul

Mundo em descomunhão
Eu vou pra essa cidade
Pra perto do tal do ego bom
Adeus, adeus céu azul
Não rasga a pele
Fere o coração
Me dê intimidade
Pra deitar e sonhar no teu chão
Se soubesse de onde eu vim, não me sorria
No oposto do sol encontrei o meu posto
E te queimei com meus raios em grande quantia
Que engraçado que me olha assim

Com cara enjoada de fotografia
Agora que sabe, tem medo de mim
Mas no seu lugar eu também teria
Queria escrever uma bela canção
Mas faltou caneta, faltou papel
Tudo que eu tinha era papel de pão
E um único blues, o pedaço de céu
Adeus, céu azul

Mundo em descomunhão
Eu vou pra essa cidade
Pra perto do tal do ego bom
Adeus, adeus céu azul

Não rasga a pele
Fere o coração
Me dê, me dê intimidade
Pra deitar e sonhar no teu chão
Vou avisar aos cachorros da rua
Que a minha ferida crua é melhor não lamber
Vou avisar
Vou avisar aos cachorros da rua
Que pro povo pobre, a vingança pode ser mel e prazer

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Brasil em Portugal (Samba do Pedrinho) - Samba sem fronteiras




LETRA: Quando o avião pousou no Porto Tudo o que eu queria era um fino Essa cidade é uma linda E eu não vou ter que aprender uma outra língua Pedi explicação Pra ir pro Samba do Pedrinho Tu vai de autocarro Ou vai de metro, é rapidinho É mais além, a roda fica ao pé do talho E eu pensei, vai ser difícil pra caralho Chegar nessa roda de samba Refrão: Que lingua é essa iaiá Que eu não percebi Achei que ia me dar bem Mas não entendo nada do que falam aqui Porque aqui em Portugal, é tudo diferente O gajo quando acorda, já come um cacete quente E vai pro Santos, bota a carrinha na autoestrada E o que sobra das portagens, ele gasta em porra recheada Refrão Aqui, estudante paga propina E o professor que ensina tem uma pêra no rosto Ah que bom gosto ele usa sapatilha, ceroula e camisola Que aqui é roupa de macho, não é vestimenta de boiola Refrão Canalha é um montão de puto E se tu não entendeu o assunto o pá, é porque és brasileiro É giro, é fixe, é fogo e é porreiro Ô brazuca não vai chamar vendedor de panela de paneleiro Refrão Aqui, celular é telemóvel E a morena que eu namoro eu chamo de rapariga Ai que intriga, no hospital eu sou utente Eu levo uma pica no cu e saio curado e contente Ai que saudade iaiá do nosso feijão com arroz E de manter uma conversa em que não fiquem me respondendo "Pois!" GLOSSÁRIO:
Fino = Chopp Autocarro = Ônibus Metro = Metrô Ao pé do talho = Perto do Açougue Gajo = Rapaz Cacete = Pão Carrinha = Van Coima = Taxas Portagem = Pedágio Porra Recheada = Churros Propina = mensalidade Sapatilha = Tênis Ceroula = Calça Camisola = Camiseta Canalha = Criançada, pirralho. Puto = Meninos Giro = Bonito Fixe = Legal "É Fogo" = "É F*3@" Porreiro = Muito legal Paneleiro = gay Rapariga = Menina Utente = Paciente Pica no Cú = Injeção na bunda

Paródia - O Menino da Porteira, para trabalhar os substantivos

Substantivos
Obrigado, prof. Marquinhos!!! Que aula!!!






Toda vez que eu estudava um tal de substantivo
A professora falava uns nomes meio esquisitos
Era simples ou composto, derivado ou primitivo
abstrato ou concreto, comum, próprio ou coletivo

Olhava a professora pra conseguir aprender
Ela ia explicando e eu tentava compreender
substantivo composto, duas palavras tem que ter
o substantivo simples, um radical eu vou ver

Foi continuando a aula, enquanto não deu o sinal
o nome que é primitivo é aquele original
derivado tem prefixo ou sufixo no final
comum é pra todo mundo, próprio é especial

Coletivo é o grupo como em constelação
o concreto eu imagino, sendo existente ou não
abstrato é sentimento, qualidade ou ação
Agora ficou mais fácil fazer classificação

Achei que tava acabando, quando ela continuou
Com os uniforme e biforme ela quase me matou
Biforme tem feminino, e masculino, sim senhor!
Uniforme nem varia, e tem três que ela explicou.

Comum-de-dois é o artigo que põe pra diferenciar
Epiceno é pra animar, macho e fêmea vou botar
sobrecomum não varia, fica do jeito que está,
masculino ou feminino, esse nunca vai mudar

Já tava acabando a aula e os plurais ela ensinou
nome que acaba em U, só o S "nós vai" por
Degrau, troféu e chapéu como exemplo ela mostrou
degraus, troféus e chapéus, foi assim que ela falou

Só faz plural com IS se com L terminar.
Pasteis, meis, anzois e geis, é assim que vai ficar.
Se for R, S ou Z, põe ES no final
Gravidezes e adeuses, é assim que vai ficar

Minha mestra foi embora quando a aula acabou
Mas entendi a matéria do jeitinho que ela explicou
Se você tá me estranhando, do jeito que "nóis falou",
seu preconceito linguístico é o que você mostrou.

Nossa língua é muito rica, ela tá sempre mudando
na história, nos lugar, ou onde "nóis tá trabaiando"
Se a coisa não fosse assim, latim "nóis tava falando",
isso é variação linguística, cai no vestiba esse ano!

Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto

Excelente animação da obra de João Cabral de Melo Neto - Morte e Vida Severina Morte e Vida severina é um livro de poema regionalista e modernista do escritor brasileiro João Cabral de Melo Neto, escrito entre 1954 e 1955 e publicado em 1955.

 A obra narra o sofrimento enfrentado por Severino apresentando um poema dramático que relata a dura trajetória de um migrante sertanejo (retirante) em busca de uma vida mais fácil e favorável na capital pernambucana. O poema é narrativo com seu gênero predominantemente lírico, mas com presença dramática.

Consiste em duas partes: antes de chegar em Recife e depois. Antes de chegar chamamos de caminho ou fuga da morte; e depois em o presépio ou encontro da vida. O poema é feito em redondilha maior (sete sílabas métricas).

 O espaço possui um movimento de deslocamento: o retirante faz a travessia do Agreste para a Caatinga, da Zona da Mata para o Recife, ou seja, sai da serra, mais especificamente da Serra da Costela, e vai para o litoral, para Recife. Durante esse deslocamento em buscas da vida, depara-se com tantas mortes e miséria que pensa em se atirar no rio onde ele se encontrava e apressar a própria morte. A história é narrada em primeira pessoa, pelo personagem Severino e é composta de monólogos e diálogos com outros personagens.



 

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Metade - Oswaldo Montenegro

Metade

Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
a outra metade é silêncio
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.
Que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
pois metade de mim é o que ouço
a outra metade é o que calo
Que a minha vontade de ir embora
se transforme na calma e paz que mereço
que a tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
a outra metade um vulcão
Que o medo da solidão se afaste
e o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
pois metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o seu silêncio me fale cada vez mais
pois metade de mim é abrigo
a outra metade é cansaço
Que a arte me aponte uma resposta
mesmo que ela mesma não saiba
e que ninguém a tente complicar
pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
pois metade de mim é platéia
a outra metade é canção.
Que a minha loucura seja perdoada
pois metade de mim é amor
e a outra metade também

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Açúcar ou Adoçante - Cícero



Açúcar ou adoçante - Cícero Lins

Entra pra ver
Como você deixou o lugar
e o tempo que levou pra arrumar
aquela gaveta
entra pra ver
mas tira o sapato pra entrar
cuidado que eu mudei de lugar
algumas certezas
pra não te magoar
não tem por que
pra ajudar teu analista
desculpa
mas se você quiser
alguém pra amar
ainda
mas se você quiser
alguem pra amar
ainda
hoje não vai dar
não vou estar
te indico alguém
mas fica um pouco mais
que tal mais um café?
ainda lembra disso?
que bom...
mas se você quiser
alguém pra amar
ainda
mas se você quiser
alguém pra anular
ainda
desculpa não vai dar
não vou estar
te indico alguém.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Mochileira - Almir Sater



Mochileira deite comigo essa noite
E conte aquela velha história
De como as noites são claras em Machu Pichu
E os dias dourados na Califórnia
Moça eu não vou precisar ler na sua mão
Pra saber que você não vai voltar
Pra vida maluca das pessoas
Do mundo
Das formigas tentando se esconder da chuva
Pedro saiu numa barca pro Nepal
Vera estava em Amsterdã
Porque não tentar algo mais divertido que casar com executivos
E acabar achando excitante
A reunião semanal da confraria dos amantes
Das delícias da boa velha tecnocracia
Dance mochileira que eu toco a guitarra
Moça eu sei que não é legal
Ficar sozinha quando o velho medo vem
E essa noite em Cuzco é tão fria
Me passe a garrafa de vinho
Sim, eu posso ver
Que os tempos tem sido maus com você
Mas os Deuses eles sabem
Que valeu a pena segurar essa barra
Moça o céu é seu amigo
Enquando durar essa farra
E depois você é mesmo
Do tipo de cigarra
Que canta na chuva
Dance mochileira que eu toco a guitarra.

Tocando em frente - Almir Sater



Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei
Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs
É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou
Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs
É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz
Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs
É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Pequeno perfil de um cidadão comum - Belchior



Era um cidadão comum como esses que se vê na rua
Falava de negócios, ria, via show de mulher nua
Vivia o dia e não o sol, a noite e não a lua
Acordava sempre cedo (era um passarinho urbano)
Embarcava no metrô, o nosso metropolitano...
Era um homem de bons modos:
"Com licença; - Foi engano"
Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que caminha para a morte pensando em vencer na vida
Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que tem no fim da tarde a sensação
Da missão cumprida
Acreditava em Deus e em outras coisas invisíveis
Dizia sempre sim aos seus senhores infalíveis
Pois é; tendo dinheiro não há coisas impossíveis
Mas o anjo do Senhor (de quem nos fala o Livro Santo)
Desceu do céu pra uma cerveja, junto dele, no seu canto
E a morte o carregou, feito um pacote, no seu manto
Que a terra lhe seja leve

Eduardo e Mônica - Legião Urbana



Eduardo e Mônica - Renato Manfredini Junior

Quem um dia irá dizer que não existe razão
Nas coisas feitas pelo coração
E quem irá dizer que não existe razão
Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
No outro canto da cidade
Como eles disseram
Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Um carinha do cursinho do Eduardo que disse que
É uma festa legal e a gente quer se divertir
Festa estranha, com gente esquisita
Eu não tô legal não aguento mais birita
E a Mônica riu e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto só pensava em ir pra casa
"É quase duas e eu vou me ferrar"
Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver um filme do Godard
Se encontraram então no Parque da Cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de camelo
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo
Eduardo e Mônica era nada parecido
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
De Van Gogh e dos Mutantes
Do Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô
Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda estava no esquema
Escola cinema, clube televisão
E, mesmo com tudo diferente
Veio mesmo de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia
Como tinha de ser
Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro e artesanato e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu a terra a água e o ar
Ele aprendeu a beber deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar
E ela se formou no mesmo mês
Em que ele passou no vestibular
E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa
Que nem feijão com arroz
Construíram uma casa uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana e seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram
Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo
Tá de recuperação (ah ah ha)
E quem um dia irá dizer que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração
E quem ira dizer
Que não existe razão

Como Nossos Pais - Elis Regina




Como Nossos Pais - Antônio Belchior

Não quero lhe falar meu grande amor
Das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram 
E o sinal está fechado prá nós
Que somos jovens
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço
O seu lábio e a sua voz
Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração
Já faz tempo eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu 'tô por fora
Ou então que eu 'tô inventando
Mas é você que ama o passado
E que não vê
É você que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem
Hoje eu sei que quem me deu a ideia
De uma nova consciência e juventude
'Tá em casa
Guardado por deus
Contando vil metal
Minha dor é perceber
Que apesar de termos feito tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos como os nossos pais

O Velho e o Mar - Rubel



O Velho e o Mar - Rubel

Lança o barco contra o mar
Venha o vento que houver
E se virar,
Nada
Pega a mala que couber
Vira a estrada sem saber
E se perder,
Calma
Beija a boca da mulher
Tira a roupa sem pedir
E se sorrir,
Fica
Bebe o copo que encher
Diz pro amigo que é irmão
O que nem tem palavra
Lança o barco contra o mar
Venha o vento que houver
E se puder,
Voa

Construção - Chico Buarque



 Construção - Chico Buarque

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um passáro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um principe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Eu Sou Neguinha? - Vanessa da Mata



Eu tava encostado ali minha guitarra
Num quadrado branco, vídeo papelão
Eu era um enigma, uma interrogação
Olha que coisa
Mas que coisa à toa, boa, boa, boa, boa, boa
Eu tava com graça
Tava por acaso ali, não era nada
Bunda de mulata, muque de peão
Tava em Madureira, tava na Bahia
No Beaubourg, no Bronx, no Brás
E eu, e eu, e eu, e eu
A me perguntar
Eu sou neguinha?

Era uma mensagem
Lia uma mensagem
Parece bobagem mas não era não
Eu não decifrava, eu não conseguia
Mas aquilo ia, e eu ia, e eu ia, e eu ia, e eu ia
Eu me perguntava

Era um gesto hippie, um desenho estranho
Homens trabalhando, para e contramão
E era uma alegria, era uma esperança
Era dança e dança ou não, ou não, ou não, ou não, ou não
Tava perguntado:
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?
Sou neguinha
Eu sou neguinha?
Sou neguinha

Eu tava rezando ali completamente
Um crente, uma lente, era uma visão
Totalmente terceiro sexo
Totalmente terceiro mundo terceiro milênio
Carne nua, nua, nua, nua, nua, nua
Era tão gozado
Era um trio elétrico, era fantasia
Escola de samba na televisão
Cruz no fim do túnel, beco sem saída
E eu era a saída, melodia, meio-dia, dia, dia, dia
Era o que eu dizia:
Eu sou neguinha?

Mas via outras coisas: via o moço forte
Ea mulher macia den'da escuridão
Via o que é visível, via o que não via
E o que poesia e a profecia não vêem
Mas vêem, vêem, vêem, vêem, vêem
É o que parecia
Que as coisas conversam coisas surpreendentes
Fatalmente erram, acham solução
E que o mesmo signo que eu tento ler e ser
É apenas um possível e o impossível
Em mim, em mil, em mil, em mil, em mil
E a pergunta vinha:
Eu sou neguinha?

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Eu Não Sei Na Verdade Quem Eu Sou - O Teatro Mágico



Eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou
Por que a gente é desse jeito
Criando conceito pra tudo que restou?

Meninas são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas!
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro!

Mas eu não sei na verdade quem eu sou!
Já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro o sorriso e o meu paraíso é onde estou
Eu não sei na verdade quem eu sou!

Descobrir da onde veio a vida
Por onde entrei deve haver uma saída
Mas tudo fica sustentado pela fé!
Na verdade ninguém sabe o que é!

Velhinhos são crianças nascidas faz tempo!
Com água e farinha colo figurinha e foto em documento!
Escola é onde a gente aprende palavrão
Tambor no meu peito faz o batuque do meu coração!

Percebi que a cada minuto
Tem um olho chorando de alegria e outro chorando de luto
Tem louco pulando o muro, tem corpo pegando doença
Tem gente rezando no escuro, tem gente sentindo ausência!

Meninas são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas!
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que eu guardo dentro do meu travesseiro!

Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou
Eu não sei na verdade quem eu sou

O Que Se Perde Enquanto os Olhos Piscam - O Teatro Mágico



Pronde vai?
Toda tampa de caneta?
Todo recibo de estacionamento?
Todo documento original?
Isqueiro, caderneta,
A camiseta com aquele sinal...
Pronde vai... toda palheta?
Pronde foi... todo nosso carnaval?
Pronde vai?
Todo abridor de lata?
Toda carteira de habilitação?
Recado não dado, centavo, cadeado?
Todo guarda-chuva!
Pra fuga pro temporal!
Pronde vai... o achado, o perdido?
Eu não sei, veja bem...
Não me leve a mal...
Pronde vai?
Todo outro pé de meia,
Carteira, brinco e aparelho dental?
Pronde vai... toda diadema?
Recibo, receita e o nosso enredo inicial?
Pronde vai?
Toalha de acampamento,
Presilha, grampo, batom de cacau
Elástico de cabelo
Lápis, óculos, clips, lente de contato?
A nossa má memória!
A denúncia no jornal?
Pronde vai... aliança, chaveiro, chave, chinelo?
E o controle pra trocar canal
Pronde vai?
O solo que não foi escrito?
Labareda nesse labirinto,
O instinto, o reflexo, sem seguro
O coro do socorro! o lançamento oficial!
Pronde vai... a culpa da cópia?
Pronde foi... a versão original!?
Pronde vai?
A bala que se disparou?
O indício do vício que disseminou
A busca do corpo por algo vital?
A firmação do pulso! o discurso radical!
O troco em moeda... a lição da queda
Pronde foi... nosso humor e moral?
Pronde vai? todo nosso desalento
Morre brisa nasce vendaval
Pronde vai a reza vencida pelo sono
Ela vale? me fale... me de um sinal!

São Longuinho
Me fale me de um sinal!

Pra onde foi?
O canhoto, benjamim de tomada
Simpleza, prudência, consideração?
A clareza, autenticidade, compaixão, certeza, a urgência e o perdão?
Carregador de bateria,
O extrato, a ponta, a conta nova, a cola e a extensão?
O estímulo,o exemplo, a voz dissonante...
A coragem do meu coração!

São Longuinho, são Longuinho
Me fale me dê um sinal!
São Longuinho, são Longuinho
Pra onde foi?
A coragem do meu coração!

Vagalumes Cegos - Cícero



Nem sei
Dessa gente toda
Dessa pressa tanta
Desses dias cheios
Meios-dias gastos
Elefantes brancos
Vagalumes cegos
Meio emperrados
Entre o meio e o fim
Meio assim

Nem sei
Dessa pressa toda
Dessa gente tanta
Meios-dias feios
Desses dias chatos
Vagalumes brancos
Elefantes cegos
E o céu engarrafado

Fica por aqui
Vem cuidar de mim
Vamos ver um filme, ter dois filhos
Ir ao parque
Discutir Caetano
Planejar bobagens
E morrer de rir
Fica bem aí
Que essa luz comprida
Ficou tão bonita
Em você daqui
Fica bem aí
Que essa luz comprida
Ficou tão bonita
Em você daqui

Ninguém vai dizer
Que foi por amor
Todos vão chamar de derrota
Vamos esconder nosso cobertor
E vamos viver sem escolta